
Memórias que ontem estavam tão nítidas e hoje vão-se tornando cada vez mais desfocadas, no meio de tantas outras que se foram acumulando.
A vida não é recordada pelo número de vezes que respiramos, mas sim pelos momentos que nos cortam a respiração, e a isso ninguem pode fugir, as memórias serão sempre memórias, os momentos que vivemos de alguma forma especiais já ninguem nos pode tirar sejam eles bons ou maus, e nem a força de vontade as pode fazer desaparecer, aquilo que vivemos de bom e aquilo que vivemos de mau, marca-nos inevitavelmente para sempre, e quanto mais nos esforçamos para esquecer e criar novas memórias, mais elas nos vão acompanhar, mais elas vão ficar.
Mesmo assim, e apesar de tantas vezes simplesmente querermos esquecer, perder os sentidos e não recuperar tudo o que vivemos, são esses momentos que nos dão vida, que nos fazem respirar, que fazem parte da nossa história, são esses momentos que nos dão a certeza da existência de novos momentos que nos fazem perder o fôlego.
Mas continuo a achar que temos sempre tendência para guardar as piores memórias, as que mais nos fizeram sofrer, as que nos deixaram mais mágoa, nunca consegui entender bem porquê, acho que é por serem aquelas que nos fazem relembrar que não podemos voltar a cometer os mesmos erros, aqueles que nos vão voltar a magoar, que nos vão tornar pessoas mais frágeis, menos meigas!
Mas tudo isto faz parte, tudo isto nos torna de carne e osso, nos faz sentir vivos, e a revolta não leva a nada a não ser ao enfraquecimento, e à perda de forças interiores, o que não me parece a melhor forma de resolver este tipo de dilemas..
Estar vivo passa por aí, saber ultrapassar, saber resolver, e encontrar formas de não nos auto-destruirmos psicologicamente e fisicamente, por isso só nos resta aprender a lidar com tudo isto!
Um viva às boas recordações ..
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